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Covid, PIBinho e o Comunismo: Revelando Rachas e Negociações do Fora Bolsonaro

Por: Deise Ferraz

Sim, eu penso que o movimento da Ala Ideológica do governo Bolsonaro está atacando para permanecer no poder. O ataque para criar o terror não é novidade. A novidade é intensificar o teor insistindo na estratégia, a despeito do Covid, mas por meio do Covid, visando aumentar a reação de suas bases e com isso ter força política para se manter no poder, pois eles não tem mais o apoio integral da equipe governamental. Fazendo um comparação que o Bolsonaro gosta: a equipe no poder executivo hoje é casamento que resultou de um amor de verão. Com casamento em Las Vegas, para ficar mais divertida a comparação - que teve festa em famoso hotel de Trump (?). Agora, resistir ao inverno, são outros quinhentos. Então, me parece que há um racha no governo que gira em torno das estratégias econômica e de gestão que visam atrair capital para a esfera produtiva. E a Ala Ideológica de Bolsonaro já percebeu que a outra Ala, a dos Bastidores, está chegando mais tarde em casa todo dia - para manter a comparação. Para entender isso, precisamos esquecer um pouco o Covid-19 e lembrar do PIB de 2019. Porque o Covid não cria rachas fortes, uma “DR” resolveria a situação, por isso Mandetta se manteve tanto tempo e sua queda não trouxe maiores consequências, pelo menos não para a gestão governamental.

A estratégia do governo Bolsonaro até março de 2020 era, em termos frouxos, 1) colocar o terror internamente criando cortinas de fumaça e bodes na sala, tarefa muito bem feita pela Ala Ideológica do governo Bolsonaro, ala que inclui o próprio presidente e suas duas duplas de trios (seu filhos e o Weintraub, Salles e Araújo); 2) trabalhar nos bastidores com as aprovações das reformas e com a política monetária e fiscal, para atrair capital para a esfera da produção - inclusive produção na região amazônica, em áreas indígenas - e privatizações. A divulgação do PIB de 2019 e a "pouca agilidade” do Congresso na aprovação das Reformas, porém, demonstrou a ineficácia da estratégia, ineficiência que não foi suficiente para convencer a Ala Ideológica sobre a necessária mudança. O 1,1 foi a gota d’água! Porém, perdeu-se foco por causa do COVID. Mas não se deixou de discutir sobre as estratégias utilizada pelo governo para a gestão econômica do país e para sua permanência no poder. Vemos isso no aumento das nomeações militares para os cargos que cercam o presidente; vemos isso nas chamadas que o presidente faz para a sua base (ele sabe da gravidade da Covid, mas está arriscando para se manter apoiado pela força popular); vemos isso no ataque aos Comunistas que estão supostamente dominando o mundo com a ajuda de um vírus; vemos isso na coletiva de divulgação do Plano Pró-Brasil. A Ala dos Bastidores segue firme na proposta de avançar nas reformas e atrair capital, sem colocar dinheiro do Estado. Para isso, tem o apoio irrestrito de parte do congresso; e apoio negociável de outra parte. Mas essa Ala já percebeu que a estratégia da Ala ideológica não está ajudando. Bolsonaro já percebeu que eles perceberam! E ele sabe, se ele não ajuda, o casamento se desfaz. Assim, ele contra-ataca com o que sabe fazer: meter o terror. Por um lado, chama sua base ressuscitando o “medo do comunismo” em consonância com a disputa internacional EUA-China. Por outro, acena para os capitalistas brasileiros com o Plano Pró-Brasil. Ele mantém o processo de privatizações e as políticas monetárias e as reformas, mas também promete que o Estado vai colocar dinheiro na economia, em vários setores da economia. Isso, reforçaria, em tese, sua base para permanecer no poder, atraindo empresário para sua defesa. Me parece que a Ala dos Bastidores não concorda com essa alteração na estratégia econômica e deseja a mudança na estratégia de manutenção no poder, não por causa dos comunistas, mas porque ela tem tido alto impacto no cenário internacional, principalmente entre os principais mercados consumidores das mercadorias brasileiras. Então, a Ala dos Bastidores contra-contra-ataca da maneira que sabe: negociando. O cenário perfeito é o impedimento de Bolsonaro em 2021. Me parece, e aí são conjecturas com poucos dados, que eles já iniciaram as negociações e, a principal delas foi anunciada nesta semana, na terça-feira. Em reunião online, Lula clama que o PT fortalece -ir com tudo - a bandeira Fora Bolsonaro. Sinceramente, minha expectativa é saber o que o PT negociou. Qual parte da merda do bode será tirada da sala? Ou será que o contra-ataque do Bolsonaro foi tão eficiente que o PT caiu no terror, se aliou a Ala dos Bastidores e o que era o contra-golpe do Bolsonaro sreforçará o contra-contra-golpe que o derrubará sem garantir nem sequer a resistência da Ala (que se diz) Resistência? Cenário ideal: os militares no poder sem precisar de espetáculo bolsonarista, que divide a opinião pública, e com o apoio do partido que mais defende a democracia. Não poderia haver contra-contra-golpe melhor. E, não esqueçamos, a investigação que o Aras pediu, se a Ala dos Bastidores quiser, pode levar a identificação do Bolsonaro com os atos. Nisso tudo, temos a Covid. Que permitirá amenizar as críticas à Ala que se diz resistência. E, nisso, meu acordo com Safatle: em épocas de Covid fazemos notas e cartas e manifestações virtuais não por causa do Covid, mas porque era o que já fazíamos. Bem, quando o Covid passar e os comunistas não forem mais passíveis de serem colocados como problema, poderemos voltar ao normal...e aí veremos se a Ala Ideológica, com toda sua política interna de terror e seus ataques externos aos países concorrentes dos EUA, foi eficiente e trouxe para seu lado, para a hora cabal da separação matrimonial, a boa e velha Aliança do Atlântico ou se o Pentágono fará a leitura de que seu grupo é o dos Bastidores... bem, mas pode haver ainda a receita da terapia de casal e aí, dirão que será o contra-contra-contra golpe do Governo a Ala da Resistência.

PS. O movimento do Moro é mais um fato a ser considerado, que revela, na imediaticidade, a força da Ala Ideológica, porém muitas mediações ainda necessitam ser realizadas...e uma questão a considerar é justamente o pedido do Aras... #covid19 #pib2019


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